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A MORTE NÃO É O FIM

Blog EntryJan 19, '06 8:59 AM
for everyone
Hinduísmo

"Na sociedade hindu, é costume religioso, como primeira coisa a fazer de manhã, banhar-se num rio vizinho, ou em casa, se não houver rio ou riacho nas imediações. As pessoas crêem que isso as santifique. Daí, sem ainda se terem alimentado, vão ao templo local e fazem oferendas de flores e alimentos ao deus local. Alguns lavam o ídolo e decoram-no com pó vermelho e amarelo.
"Quase toda casa tem um canto, ou mesmo um cômodo , para a adoração do deus preferido da família. Um deus popular em algumas localidades é Ganesa, o deus-elefante. As pessoas oram a ele em especial por boa sorte, pois ele é conhecido como removedor de obstáculos. Em outros lugares, Críxena, Rama, Xiva, Durga, ou alguma outra deidade talvez tenha prioridade na devoção." - Tara C., Katmandu, Nepal.

    O que é Hinduísmo? Trata-se apenas da noção ocidental simplista de venerar animais, banhar-se no Ganges e estar dividido em castas? Ou há algo mais envolvido? A resposta: Há muito mais envolvido. O hinduísmo é uma maneira diferente de entender a vida, para a qual os valores ocidentais são totalmente estranhos. Os ocidentais tendem a ver a vida como linha cronológica de eventos na história. Os hindus vêem a vida como ciclo auto-repetitivo no qual a história humana pouco importa.
    Não é fácil definir o hinduísmo, pois não tem credo definido, hierarquia sacerdotal nem órgão governante. Mas não deixa de ter suamis (mestres) e gurus (guias espirituais). Numa definição ampla do hinduísmo, certo lívro de história diz que é "o inteiro complexo de crenças e instituições que surgiram desde o tempo em que seus antigos (e mais sagrados) escritos, os Vedas, foram compostos, até agora". Outro diz: "Pode-se dizer que o hinduísmo é a devoção ou a adoração dos deuses Vixenu, ou Xiva [Siva], ou da deusa Sacti, ou das encarnações, dos aspectos, dos consortes ou da progênie deles." Isto vale para incluir os cultos de Rama e Críxena (encarnações de Vixenu), Durga, Escanda e Ganesa (respectivamente es-posa e filhos de Xiva). Afirma-se que o hinduísmo tem 330 milhões de deuses, não obstante, diz-se que o hinduísmo não é politeísta. Como é isso possível?
    O escritor indiano A. Parthasarathy explica: "Os hindus não são politeístas. O hinduísmo fala de um Deus uno...Os diferentes deuses e deusas do panteão hindu são mera representação dos poderes e das funções do único Deus supremo no mundo manifestado."
    Os hindus não raro referem-se à sua fé como saru-tana darma, que significa lei ou ordem eternas. Hinduísmo* é realmente um termo vago que descreve uma hoste de religiões e seitas (sampradaias) que se desenvolveram e floresceram no decorrer dos milênios sob a sombra da complexa mitologia hindu antiga. Essa mitologia é tão intricada que a Nova Enciclopédia Larousse de Mitologia (em inglês) diz: "A mitologia indiana é uma inextricável selva de luxuriante vegetação. Entrando nela, perde-se a luz do dia e todo senso claro de direção." Não obstante este capítulo abordará alguns dos aspectos e ensinos dessa fé.

Raízes do Hinduísmo
    Embora o hinduísmo talvez não seja tão difundido como algumas outras religiões principais, não obstante por volta de 1990, gozava da lealdade de uns 700 milhões de seguidores, ou cerca de 1 em 8 (13%) da população do mundo. Contudo, a maioria destes encontra-se na Índia Assim, é lógico perguntar: Como e por que o hinduísmo ficou concentrado na Índia?
    Alguns historiadores dizem que as raízes do hinduís-mo remontam a mais de 3.500 anos, quando uma onda de migração trouxe do noroeste para o vale do Indo um povo ariano de pele clara, agora localizado principalmen-te no Paquistão e na Índia. De lá eles se espalharam até as planícies do rio Ganges e por toda a Índia. Alguns estudiosos dizem que os conceitos religiosos desses migrantes baseavam-se em antigos ensinos iranianos e babilônicos. Um traço comum a muitas culturas, e também encontrado no hinduísmo, é a lenda sobre um dilúvio. -
    Mas, que tipo de religião se praticava no vale do Indo antes da chegada dos arianos? Um arqueólogo, Sir John Marshall, fala da "’Grande Deusa-Mãe', sendo às vezes representada por estatuetas de figuras femininas grávidas, a maioria nuas, com gargantilha alta e ornato na  cabeça. . . . Há também o ‘Deus Macho’, ‘logo identificável como protótipo do histórico Xiva’, sentado com as plantas dos pés tocando uma na outra (uma postura ioga), itifálico (lembrando o culto linga [do falo]), cercado de animais (retratando o epíteto de Xiva, ‘Senhor dos Animais’). Há muitas figuras de pedra do falo e da vulva,...que apontam para o culto do linga e da ioni de Xiva e sua consorte". (Religiões do Mundo - Da História Antiga ao Presente, em inglês) Até hoje Xiva é reverenciado como deus da fertilidade, o deus do falo, ou linga. O touro Nandi o carrega.
    O hinduísta Swami Sankarananda discorda da interpretação de Marshall, dizendo que originalmente as pedras veneradas, algumas conhecidas como Xivalinga,  eram símbolos "do fogo do céu ou do sol e o fogo do sol, os raios". (A Cultura Rigvédica do Indo Pré-histórico, em inglês) Ele arrazoa que "o culto do sexo...não se originou como culto religioso. É um subproduto. Uma degeneração do original. São as pessoas que rebaixam o ideal, elevado demais para sua compreensão, a seus próprios níveis". Como contra-argumento à crítica ocidental ao hinduísmo, ele diz que, à base da veneração cristã da cruz, um símbolo fálico pagão, "os cristãos...são os devotos de um culto do sexo".
Com o tempo, as crenças, os mitos e as lendas da Índia foram assentados por escrito, e formam hoje os escritos sagrados do hinduísmo. Embora tais obras sacras sejam bem abrangentes, elas não tentam propor uma unificada doutrina hindu.

Escritos
    Os escritos mais antigos são os Vedas, uma coletânea de orações e hinos conhecidos como Rig-Veda, Sama-Veda, Iajur-Veda e Atarva-heda. Foram compostos durante vários séculos e completados por volta de 900 a.C. Os Vedas foram mais tarde suplementados por outros escritos, incluindo os Brâmanas e os Upanichades.
    Os Brâmanas especificam como realizar os ritos e sacrifícios, tanto domésticos como públicos, e dão muitos detalhes sobre seus profundos significados. Foram escritos a partir de cerca de 300 a.C.  ou mais tarde. Os Upanichades (literalmente: "assentos perto dum mestre"), também conhecidos como Vedanta e escritos por volta de 600-300 a.C., são tratados que delineiam a razão de todo o pensamento e ação, segundo a filosofia hindu. As doutrinas da samsara (transmigração da alma) e do carma (a crença de que as ações de uma existência anterior são a causa do atual estado da pessoa na vida) foram esboçadas nesses escritos.
    Outro conjunto de escritos são os Puranas, ou longas histórias alegóricas contendo muitos mitos hindus sobre deuses e deusas, bem como sobre heróis hindus. Essa extensa biblioteca hindu inclui também as epopéias de Ramaiana e Maa-barata. A primeira é a história do "Senhor Rama...o mais glorioso de todos os perso-nagens encontrados em literatura escritural", segundo A. Parthasarathy. O Ramaiana é um dos mais populares escritos para os hindus, datado de aproximadamente o quarto século a.C. É a história do herói Rama, ou Rama-chandra, tido pelos hindus como filho, irmão e marido exemplar. É considerado o sétimo avatar (encarnação) de Vixenu, e seu nome não raro é invocado como saudação.
    Segundo Bhaktivedanta Swami Prabhupáda, fundador da Sociedade Internacional para Conscientização Crí-xena, Bagavad-gitã [parte do Maa-barata] é a suprema instrução de moralidade. As instruções do Bagavad-gitã constituem o supremo processo de religião e o supremo processo de moralidade. . . . A última instrução do Gitã é a última palavra de toda a moralidade e religião: renda-se a Krsna [Críxena]." - BG.
    O Bagavat Gita (Cântico Celestial), tido por alguns como "jóia da sabedoria espiritual da Índia", é uma conversação em campo de batalha "entre o Senhor Sri Krsna [Críxena], a Suprema Personalidade da Divindade, e Arju-na, Seu amigo íntimo e devoto, a quem Ele instrui na ciência da auto-realização". Contudo, o Bagavat Gita é apenas parte da extensa biblioteca sagrada hindu. Alguns desses escritos (Vedas, Brâmanas e os Upanichades) são encarados como Sruti, ou "foram ouvidos", e são, portan-to, considerados escritos sagrados diretamente revelados. Outros, como as epopéias e os Puranas, são Smríti, ou "lembrados", e, assim, compostos por autores humanos, embora derivados de revelação. Um exemplo é o Manu Smviti, que esboça as leis religiosas e sociais hindus, além de explicar a base para o sistema de castas. Quais são algumas das crenças que surgiram desses escritos hindus?

Ainsa e Varna
    No hinduísmo, como também em outras religiões, há certos conceitos básicos que influenciam o pensamento e a conduta cotidiana. Um notável exemplo é o aínsa (sânscrito: ahinsa), ou não-violência, pela qual Mohandas Gandhi (1869-1948), conhecido como o Mahatma, tanto se celebrizou. À base dessa filosofia, os hindus não devem matar outras criaturas nem praticar violência contra elas, que é uma das razões pelas quais eles veneram certos animais, como vacas, cobras e macacos. Os mais estritos expoentes desse ensi -no do ainsa e respeita à vida são os seguidores do jainismo (fundado no sexto século a.C.), que andam descalços e usam até mesmo uma máscara para não engolir acidentalmente algum inseto.Em contraste, os siques são conhecidos por sua tradição guerreira, e Singh, um sobrenome comum entre eles, significa leão.
    Um aspecto universalmente conhecido do hinduísmo é o varna, ou sistema de castas, que divide a sociedade em rígidas classes. É impossí-vel não perceber que a sociedade hindu ainda está estra-tificada por esse sistema, ainda que seja rejeitado pelos budistas e jainistas. Contudo, assim como a discriminação racial persiste nos Estados Unidos e em outras partes, da mesma forma o sistema de castas está profundamente arraigado no espírito indiano. De certo modo é uma forma de conscientização de classe que, de maneira pa-ralela, ainda se encontra hoje em menor grau na socieda-de britânica e em outros países. (Tíago 2:1-9) Assim, na Índia, a pessoa nasce dentro de um rígido sistema de castas e praticamente não existe uma saída. Ademais, o hindu mediano não procura uma saída. Ele considera isso como sua predeterminada e inescapável sorte na vida, o resultado de suas ações numa existência anterior, ou carma. Mas, como se originou o sistema de castas? Mais uma vez temos de recorrer à mitologia hindu.
Segundo a mitologia hindu, havia originalmente quatro principais castas baseadas nas partes do corpo do Puruxa, figura do pai original da humanidade. Os hinos do Rig-Veda dizem:

"Quando dividiram o Puruxa, quantas partes fizeram Como eles chamam sua boca, seus braços?
Como chamam suas coxas e pés?
A brâmane [a casta mais elevada] era sua boca, de ambos os seus braços se fez a rajânia. Suas coxas se tornaram a vaixiá, de seus pés se produziu a sudra." - The Bible of the World (A Bíblia do Mundo).
    Assim, os brâmanes sacerdotais, a mais elevada cas-ta, supostamente se originaram da boca do Puruxa, sua parte mais elevada. A classe governante, ou guerreira, (xátria ou rajânia) veio de seus braços. A classe mercado-ra e lavradora, chamada vaixá, ou vaixiá, originou-se de suas coxas. Uma casta inferior, a sudra, ou xudra, ou classe trabalhadora, resultou da parte mais inferior do corpo, os pés.
    No decorrer dos séculos vieram a existir até mesmo castas inferiores, os párias e os intocáveis, ou como Mahatma Gandhi os chamava mais bondosamente, os harijãs, ou "pessoas pertencentes ao deus Vixenu". Embo-ra a intocabilidade seja ilegal na Índia desde 1948, os intocáveis ainda levam uma existência muito dura.
    Com o tempo as castas se multiplicaram, passando a corresponder a quase toda profissão e artesanato na sociedade hindu. Este antigo sistema de castas, que man-tém cada qual no seu respectivo lugar social, é na reali-dade também racial e "inclui distintos tipos raciais que variam desde o que é conhecido como tronco ariano (de pele clara] ao pré-dravidiano [de pele mais escura]". Var-na, ou casta, significa "cor". "As primeiras três castas eram arianas, as pessoas mais claras; a quarta casta, que incluía os aborígenes de pele escura, era não-ariana." (Série Mitos e Lendas - Índia, de Donald A. Mackenzie, em inglês) É um fato da vida na Índia que o sistema de castas, fortalecido pelo ensino religioso do carma, mantém milhões de pessoas presas a eterna pobreza e injustiça.

Ciclo da Existência
    Outra crença básica que afeta a ética e a conduta hindu, e uma das mais vitais, é o ensino do carma. Trata-se do princípio de que toda ação tem suas conse-qüências, positivas ou negativas; determina cada existên-cia da alma transmigrada ou reencarnada. Como explica o Garuda Purana:

"O homem é o criador de seu próprio destino, e mesmo na vida fetal, ele é afetado pela dinâmica das obras praticadas na sua existência anterior. Quer confinado num reduto de montanha, quer tranqüilo na superfície de um mar, quer seguro no colo de sua mãe quer erguido sobre a cabeça dela, o homem não pode fugir dos efeitos de suas próprias ações passadas...O que quer que tenha de acontecer a um homem, em qualquer idade ou época específicas, cer-tamente lhe sobrevirá então e naquela data."
O Garuda Purana continua:
“O conhecimento adquirido por um homem na sua vida anterior, a riqueza dada como caridade na sua existência anterior e as obras feitas por ele numa encarnação prévia, vão à frente de sua alma na sua permanência temporária.”
    De que depende essa crença? A alma imortal é essencial para o ensino do carma, e é o carma que faz o conceito hindu da alma diferir do da cristandade. Os hindus crêem que cada alma pessoal, jiva ou pran, passa por muitas reencarnações e possivelmente pelo "inferno". Ela tem de lutar para unir-se à "Suprema Realidade", também chamada Brâmane, ou Brâmine (não confundir com o deus hindu Brama).
    Como conseqüência do carma, os hindus tende a ser fatalistas. Crêem que o atual status ou condição da pessoa resulta duma existência prévia, sendo, portanto. merecida, seja boa ou má. O hindu pode tentar estabele-cer um registro melhor, de modo que a próxima existên-cia seja mais suportável. Assim, ele aceita mais pronta-mente a sua sorte na vida do que o ocidental. O hindu vê tudo como o resultado da lei de causa e efeito em relação à sua existência anterior. É o princípio de colher o que se semeou numa suposta existência anterior. Tudo isso, naturalmente, baseia-se na premissa de que o homem tem uma alma imortal que passa para uma outra vida, seja esta como humano, animal ou vegetal.
    Assim, qual é o derradeiro objetivo da fé hindu? É alcançar a mocsa, que significa libertação, ou liberação, do círculo vicioso de renascimentos e diferentes existências. Por conseguinte, é um escape da existência incorporada, não para o corpo, mas sim para a "alma". "Visto que a mocsa, ou libertação duma longa série de encarnações,  o alvo de todo hindu, o maior evento de sua vida é realmente a morte", diz certo comentarista. Pode-se con-seguir a mocsa seguindo os diferentes margas, ou cami-nhos.
    Todavia, segundo a Bíblia, esse desprezo e desdém para com a vida material é diametralmente contrário ao propósito original de Jeová Deus para com a humanida-de. Ao criar o primeiro casal humano, ele lhes atribuiu uma existência terrestre feliz e jubilosa. O relato bíblico nos diz:
"Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra’...E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom.” (Gênesis 1:27-31 )


O Panteão de Deuses Hindus
    Embora o hinduísmo afirme existir milhões de deuses, na prática real há certos deuses favoritos que se têm tornado o ponto focal de várias seitas dentro do hinduísmo. Três dos deuses mais destacados estão incluídos no que os hindus chamam de Trimúrti, uma trindade, ou tríade, de deuses.
    A tríade consiste em Brama, o Criador, Vixenu, ~. Preservador e Xiva, o Destruidor, e cada qual tem pelo menos uma esposa ou consorte. Brama é casado com Sarasváti, a deusa do conhecimento. A esposa de Vixenu é Lacxími e a primeira esposa de Xiva era Sati, que se suicidou. Foi a primeira mulher a passar pelo fogo sacri-ficial, tornando-se assim a primeira sati. Seguindo seu exemplo mitológico, milhares de viúvas hindus ao longo dos séculos se sacrificaram na pira funerária de seu marído, embora tal prática seja agora ilegal. Xiva tem também outra esposa, conhecida por vários nomes e títulos. Na sua forma benigna, ela é Parvati e Uma, bem como Gauri, a Dourada. Como Durga ou Cali, ela ê uma deusa terrificante.
    Brama, embora seja central na mitologia hindu, não ocupa um lugar de destaque na adoração do hindu mediano. De fato, bem poucos templos são dedicados a ele, embora seja chamado de Brama, o Criador. Contudo a mitologia hindu atribui a tarefa de criar o universo material a um ser, fonte ou essência suprema – Brâmane ou Brâmine, identificado pelas sílabas sagradas OM ou AUM. Todos os três membros da tríade são considerados parte desse "Ser", e todos os outros deuses são tidos como diferentes manifestações. Qualquer que seja o deus que então é adorado como supremo, pensa-se que essa dei-dade seja todo-abrangente. Assim, ao passo que os hindus veneram abertamente milhões de deuses, a maioria reco-nhece a existência de apenas um único Deus verdadeiro, que pode assumir muitas formas: varão, mulher, ou até mesmo animal. Por conseguinte, os peritos hindus frisam prontamente que o hinduísmo é realmente monoteísta, não politeísta. O pensamento védico posterior, contudo, descarta o conceito de um ser supremo, substituindo-o por um impessoal princípio ou realidade divina.
    Vixenu, uma benevolente deidade solar e cósmica, é o centro da adoração para os seguidores do vaíxnavismo. Ele aparece sob dez avatares, ou encarnações, incluindo Rama, Críxena e o Buda [Um décimo e futuro avatar é o de Calqui Avatara "retratado como jovem magnífico cavalgando num grande cavalo branco com uma espada semelhante a um meteoro fazendo chover morte e destruição por todos os lados". "A sua vinda restabelecerá a justiça na terra, e a volta de uma era de pureza e inocência." - Religiões da Índia. Dicionário do Hinduísmo ambos em inglês). - Veja Ap. 19: 1 1-16.] Outro avatar ë Vixenu Naraiana, "representado em forma humana adormecido sobre a serpente enrolada Xexa ou Ananta, flutuando nas águas cósmicas com sua esposa, a deusa Lacximì, sentada a seus pés ao passo que o deus Brama surge de um loto que cresce do umbigo de Vixenu". - Enciclopédia de Crenças do Mundo (em inglês).
    Xiva, também comumente chamado de Mahexa (Supremo Senhor) e Maadeva (Grande Deus), é o segun-do maior deus do hinduísmo, e a adoração que lhe é prestada chama-se xivaísmo. Ele é descrito como "o grande asceta, o mestre iogue sentado, mergulhado na meditação nas encostas do Himalaia, com o corpo besun-tado de cinzas e a cabeça coberta de cabelo emaranhado". É também conhecido "por seu erotismo, como originador da fertilidade e supremo senhor da criação, Maadeva”. (Enciclopédia de Crenças do Mundo) Adora-se a Xiva por meio do linga, ou representação fálica.
    Como muitas religiões do mundo, o hinduísmo tem a sua deusa suprema, que pode tanto ser atraente como aterradora. Em sua forma mais agradável ela é conhecida como Parvati e Uma. Seu gênio temível é mostrado como Durga ou Cali, uma deusa sanguinária que se deleita em sacrifícios de sangue. Como Deusa-Mãe Cali Ma (Negra Mãe-Terra), ela é a deidade principal da seita Sacti. É retratada nua até os quadris e usando como adornos cadáveres, cobras e caveiras. No passado, vítimas humanas estranguladas eram oferecidas a ela por crentes conhecidos como tug, de onde vem a palavra portuguesa "tugue".

O Hinduísmo e o Rio Ganges
    Não podemos falar do panteão de deuses do hin-duísmo sem mencionar seu rio mais sagrado - o Ganges. Grande parte da mitologia hindu relaciona-se diretamen-te com o rio Ganges, ou Gangá Ma (Mãe Gangá), como os devotos hindus o chamam. Eles recitam uma oração que inclui 108 diferentes nomes para o rio. Por que é o Ganges tão reverenciado pelos hindus sinceros? Por ser tão intimamente ligado à sua sobrevivência diária e à sua antiga mitologia. Eles crêem que o rio existia antes no céu qual Vía-Láctea. Mas como é que se transformou num rio?
    Com algumas variações, a maioria dos hindus expli-caria isso da seguinte maneira: O Marajá Sagara tinha 60.000 filhos que foram mortos pelo fogo de Capila, uma manifestação de Víxenu. Suas almas estavam condenadas no ínferno, a menos que a deusa Gangá descesse do céu para purificá-los e livrá-los da maldição. Bagiratí, bisneto de Sagara, intercedeu junto a Brama para que este permi-tisse que a sagrada Gangá descesse à terra. Certo relato continua: "Gangá respondeu: ‘Sou uma torrente tão po-derosa que abalaria as fundações da terra.’ De modo que [Bagirati], depois de fazer penitência por mil anos, recor-reu ao deus Xiva, o maior de todos os ascetas, e persua-diu-o a se posicionar alto acima da terra em meio às rochas e o gelo do Himalaia. Xiva tinha cabelos emara-nhados alto na sua cabeça, e ele permitiu a Gangá que se arremessasse do céu para dentro de seus cachos, que brandamente absorveram o choque ameaçador à terra. Daí Gangá escoou suavemente para a terra e fluiu das montanhas e através das planícies. trazendo água e, por conseguinte, vida para a terra seca." - Do Oceano Para o Céu (em inglês), de Sir Edmund Hillary.
    Os seguidores de Vixenu têm uma versão um pouco diferente sobre a origem do Ganges. Segundo um texto antigo, o Vixenu Purana, a sua versão é:

"Dessa região [o assento sagrado de Vixenu] procede o rio Ganges, que remove todos os pecados . . . Emana da unha do dedão do pé esquerdo de Vixenu."
Ou, como dizem os seguidores de Vixenu, em sânscrito: “Visnu-padabja-sambhuta”, que significa “Nascido do pé, semelhante ao loto, de Vixenu".
    Os hindus crêem que o Ganges tem o poder de libertar, purificar, limpar e curar os crentes. O Vixenu Purana declara:
"Os santos, que são purificados por se banharem nas águas deste rio, e cujas mentes estejam devotadas a Quesava (Vi-xenu], obtêm a libertação final. O rio sagrado, ouvindo-se dele falar, ao ser desejado, visto, tocado, ao se banhar nele, ou ao se cantar hinos por ele, dia a dia purifica todos os se-res. E aqueles que mesmo vivendo à distância...exclama-rem ‘Gangá e Gangá’ serão libertados dos pecados cometi-dos durante as três existências prévias"
O Bramadapurana diz:
“Quanto aos que se banham devotamente uma vez nas puras correntes do Gangá, suas tribos são protegidas por Ela contra centenas de milhares de perigos. Males acumulados durante gerações são destruídos. Simplesmente por banhar-se no Gangá a pessoa é imediatamente purificada."
    Os indianos acorrem ao rio para realizar a puja, ou  adoração, oferecendo flores, salmodiando orações e rece-bendo dum sacerdote o tilaque, a manchinha de pasta vermelha ou amarela na testa. Daí eles entram na água para se banhar. Muitos também bebem a água, embora seja altamente poluída por esgotos, substâncias químicas e cadáveres. Mas, tão grande é a atração espiritual do Ganges que milhões de indianos almejam banhar-se pelo menos uma vez no seu ‘rio santo’, poluído ou não.
    Outros trazem os corpos de seus entes queridos para serem cremados em piras na margem do rio, e daí talvez as cinzas sejam lançadas no rio. Eles crêem que isso garante a felicidade eterna para a alma que partiu. Os muito pobres para pagar uma pira funerária simplesmen-te lançam no rio o corpo coberto, onde é atacado por aves necrófagas, ou simplesmente se decompõe. Isto nos leva à pergunta: Além do que já consideramos, o que ensina o hinduísmo sobre a vida após a morte?

Hinduísmo e a Alma
A Bagavat Gita nos dá uma resposta, dizendo:

"Assim como a alma incorporada continuamente passa neste corpo, da meninice à juventude, e daí à velhice, a alma similarmente passa para outro corpo, na morte." - Capítulo 2, texto 13, em inglês.
    Certo comentário hindu sobre esse texto diz: "Visto que toda entidade viva é uma alma individual, todas elas estão mudando seu corpo a todo o momento, manifes-tando-se às vezes como criança, às vezes como jovem e às vezes como homem idoso - embora a mesma alma espiritual esteja presente e não passe por nenhuma mu-dança. Esta alma individual por fim muda o próprio corpo, ao transmigrar de um para outro, e visto ser certo que terá outro corpo no próximo nascimento - quer material, quer espiritual - não havia razão para lamen-tação da parte de Arjuna por causa da morte."
    Note que o comentário diz que "toda entidade vivente é uma alma individual". Essa declaração concorda com o que a Bíblia diz em Gênesis 2:7:
"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente."
    Mas, deve-se fazer uma importante distinção: Constitui-se o homem de uma alma vivente com todas as suas funções e faculdades, ou será que ele tem uma alma à parte de suas funções corporais? É o homem uma alma, ou tem ele uma alma? A seguinte citação clarifica o conceito hindu.
    O capítulo 2, texto 17, do Bagavat Gíta diz:
"O que permeia o inteiro corpo é indestrutível. Ninguém é capaz de destruir a imperecível alma."
    Esse texto é então explicado:
“Todo e qualquer corpo contém uma alma individual, e o sintoma da presença da alma é percebido na forma de es-tado de consciência individual.”
Ensino Hindu do Inferno
Um texto do Bagavat Gita diz:
"Quando as leis da família são destruídas, Janardana, então o que certamente para os homens resulta é morar no inferno." - I. 44, Harvard Oriental Series, Vol. 38, 1952.
Um comentário diz: "Os que são muito pecaminosos na sua vida terrestre têm de sofrer diferentes tipos de punição em planetas infernais." No entanto, difere um pouco do tormento eterno no fogo do inferno da cristandade: "Essa punição...não é eterna." Então, o que é exatamente o inferno hindu?

    O seguinte é uma descrição do destino de um pecador, extraída do Marcandeia Purana:

"Daí os emissários de Iama (deus dos mortos) rapidamente amarram-no com laços horríveís e arrastam-no para o sul, trêmulo por causa do golpe de vara. Daí ele é arrastado pe-los emissârios de Iama, emitindo gritos medonhos e nefastos, através de terrenos escabrosos com Cusa (uma planta), espinhos, formigueiros, alfinetes e pedras, com chamas acesas em alguns pontos, cheios de buracos, escaldantes com o calor do sol e queimando com seus raios. Arrastado pelos pavorosos emissários e devorado por centenas de chacais, o pecador vai à casa de Iama através de uma temível passagem....
"Quando seu corpo é queimado ele sente uma grande sensação abrasadora; e quando seu corpo é espancado ou cortado ele sente grande dor.
"Seu corpo sendo assim destruído, a criatura, embora entre num outro corpo, sofre aflição eterna por causa de suas próprias ações adversas...
“Daí, para ter seus pecados lavados, ele é levado para outro de tal inferno. Depois de percorrer todos os infernos, o pecador assume uma vida animalesca. Daí, passando pela vida de vermes, insetos e moscas, animais de rapina, mosquitos, elefantes, árvores, cavalos, vacas, e através de diversas outras vidas pecaminosas e miseráveis, ele, chegando à raça de homens, nasce corcunda, feio, anão ou Chandala Pucasa."
    Compare isso com o que a Bíblia diz a respeito dos mortos:
"Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco têm eles daí em diante recompensa; porque a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Tanto o seu amor como o seu ódio e a sua inveja já pereceram; nem têm eles daí em diante parte para sempre em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças; porque no Seol, para onde tu vais, não há obra, nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma." - Eclesiastes 9:5, 6, 10.
O Rival do Hinduísmo
    Esta forçosamente breve consideração do hinduís-mo mostrou que se trata de uma religião de politeísmo baseada no monoteísmo - a crença em Brâmane, o Ser, a fonte ou a essência suprema, simbolizado pelas sílabas OM ou AUM, e de muitas facetas ou manifestações. É também uma religião que ensina a tolerância e incentiva a bondade para com os animais.
    Por outro lado, alguns elementos do ensino hindu, tais como o carma e as injustiças do sistema de castas, junto com a idolatria e as contradições nos mitos, têm levado algumas pessoas refletidas a questionar a validade dessa fé. Um dos questionadores surgiu no noroeste da Índia por volta do ano 560 AEC. Era Sidarta Gautama. Ele fundou uma nova fé que não prosperou na Índia, não obstante, floresceu em outras partes, como explicará o nosso próximo capítulo. Essa nova fé era o budismo.

valdirarbex wrote on Feb 21
BRILHANTE DOUTRINA ESPIRITUALISTA, PORÉM NO QAUE SE REFERE AOS SISTEMAS DE CASTAS FORTEMENTE LIGADA A INTERESSES DE ALGUM GOVERNO OCULTO,
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